quinta-feira, 23 de julho de 2026

Sugestão do Mês - Jamey Aebersold - Como Improvisar Jazz e Tocar

A seção Leitura Recomendada apresenta indicações de livros que se destacam pela qualidade de seu conteúdo e pela contribuição que oferecem à formação de músicos, professores e pesquisadores.


Olá, pessoal!

A sugestão desta edição é um dos livros mais importantes já publicados sobre improvisação musical: Como Improvisar Jazz e Tocar, de Jamey Aebersold.

Reconhecida internacionalmente, a obra reúne um amplo conjunto de conceitos, exercícios, exemplos práticos e sugestões de repertório, oferecendo uma base sólida para o desenvolvimento da improvisação e para uma compreensão mais profunda dessa importante forma de expressão musical.

Com mais de 100 páginas, o livro é considerado uma referência indispensável para músicos que desejam aperfeiçoar suas habilidades de improvisação e ampliar seus conhecimentos sobre a linguagem do jazz.

Outro aspecto relevante é a presença de exercícios adaptados para instrumentos em Bb e Eb, além de exemplos escritos em Clave de Fá, voltados especialmente para contrabaixistas. Essas características tornam o material acessível a diferentes instrumentistas e extremamente útil tanto para estudantes quanto para músicos profissionais.

Graças à combinação entre explicações teóricas, exercícios e exemplos musicais, o livro constitui uma valiosa ferramenta de estudo para todos aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos em improvisação.

A seguir, apresentamos uma imagem com o índice da obra.

No vídeo desta postagem, apresento uma visão geral do livro, seu conteúdo e os motivos pelos quais ele permanece como uma das principais referências sobre improvisação.

Vídeo

Informações

Editora: Jamey Aebersold
Autor: Jamey Aebersold
Idioma: Português
Instrumentação: C, Bb, Eb e Clave de Fá

Site oficial (edição em inglês)

http://www.jazzbooks.com/mm5/merchant.mvc?Screen=PROD&Store_Code=JAJAZZ&Product_Code=V01DS


Este artigo faz parte da minha coleção, que reúne diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

terça-feira, 21 de julho de 2026

TWO-HANDED TAPPING: PRIMEIROS EXERCÍCIOS

Olá, pessoal!

Nesta semana, trazemos de volta uma matéria especial sobre Two-Handed Tapping, acompanhada de vídeo demonstrativo. A técnica, conhecida também como Two Hands, Tapping ou Touch Style, consiste na utilização das duas mãos diretamente sobre a escala do instrumento, ampliando as possibilidades melódicas e técnicas do contrabaixo.

A execução dessa técnica baseia-se, principalmente, em três movimentos fundamentais:

Tapping – Consiste em tocar uma nota na escala utilizando um dos dedos da mão direita. Geralmente é executado com o dedo indicador e indicado na partitura pelo símbolo +.

Hammer-on – Consiste em "martelar" a corda com um dos dedos da mão esquerda sobre a casa desejada, produzindo a nota sem um novo ataque. Pode ser indicado pelas abreviações H ou Ho.

Pull-off – Consiste em "puxar" levemente a corda com o mesmo dedo que executou o hammer-on, fazendo soar uma nota anterior. Esse movimento pode ser indicado pelas abreviações P ou Po.

Orientações de estudo

Inicie os exercícios utilizando o metrônomo em 40 bpm. À medida que adquirir segurança e precisão, aumente gradualmente a velocidade, buscando atingir 120 bpm, sempre que o andamento não estiver previamente indicado.

Exercício 1

Execute um tapping na nota Sol, realize um pull-off para a nota e, em seguida, um hammer-on para a nota Mi. O exercício é realizado em tercinas (três notas por tempo). Repita o padrão em todas as cordas.

Exercício 2

Execute um tapping na nota Sol, faça um pull-off para a nota Mi e outro pull-off para a nota . O exercício também é realizado em tercinas e deve ser repetido em todas as cordas.

Exercício 3

Execute um tapping na nota Sol, realize um pull-off para , um hammer-on para Mi e finalize com um pull-off para . O exercício é executado em semicolcheias (quatro notas por tempo) e deve ser repetido em todas as cordas.

Exercício 4 

Execute um tapping na nota Sol, faça um pull-off para Mi, outro pull-off para e finalize com um hammer-on para Mi. O exercício é realizado em semicolcheias e deve ser repetido em todas as cordas.

Two Hands - Música 01


Vídeo



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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Transcrição - Apostrophe' Duo - Ventos da Liberdade - Parte 2

 

 

Olá pessoal!

Em 2023, lancei um EP com o Apostrophe' Duo e disponibilizarei as transcrições aqui neste site ao longo deste ano.

Neste mês, temos a transcrição da música Ventos da Liberdade - Parte 2.

É possível ouvir o álbum no Spotify, no YouTube ou em outras plataformas de streaming.



Ventos da Liberdade - Parte 2


Esta composição foi escrita e arranjada por Fernando Tavares e Lucas Fragiacomo. 

Transcrição

Página 01

Página 02

Página 03

Apostrophe' Duo: Ventos da Liberdade - Parte 2

Música por Fernando Tavares e Lucas Fragiacomo

Performance:
Fernando Tavares: Contrabaixo
Lucas Barbosa Fragiacomo: Guitarra

Gravado, produzido, mixado e masterizado por Clayton Souza na Insound Produtora!

Abraço e até a próxima coluna!

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Comunicação em Simpósio: A arte do partimento: revisitando a teoria musical dos mestres Napolitanos do século XVIII para o ensino na prática da música

 Olá, pessoal!

Estou aqui hoje para falar da apresentação intitulada "A arte do partimento: revisitando a teoria musical dos mestres napolitanos do século XVIII para o ensino na prática da música", apresentada no Congresso Internacional Freire e Vigotski: Educação Pública Emancipatória em 2021.

O trabalho é uma produção conjunta de Fernando Tavares, Gustavo Caum e Silva e Diósnio Machado Neto do LAMUS (Laboratório de Musicologia).

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Resumo da apresentação

O projeto que envolve este curso traz à tona um debate que cerca um campo de estudos dos processos de significação musical e que contempla a obra dos compositores do período Galante, ocorrido no Antigo Regime. Este processo está em andamento desde o início dos anos 1980 e se intensificou em meados dos anos 2000, após o trabalho de Robert Gjerdingen (2007), que apresentou uma nova perspectiva sobre a música do período citado. Os estudos de significação musical vislumbram a compreensão da retórica como organizadora do projeto discursivo da música, assim como a compreensão da gramática musical por meio de esquemas de harmonia e contraponto (MACHADO NETO, 2018). 

Não obstante, durante todo o século XX, a ideia sobre o processo criativo musical do passado clássico-romântico estava amparada sobre uma teoria forjada no século XIX. Esta estava fundada numa teoria da funcionalidade que racionalizava a harmonia a partir de estruturas formais. No entanto, desde os trabalhos que questionavam a questão expressiva dos compositores dessas épocas, o modo de compreender o processo criativo lentamente transformou-se em direção a uma ideia de significação musical, guiando o uso das formas e, consequentemente, da harmonia. 

Nesta senda, o desenvolvimento dos estudos sobre a pedagogia musical também avançava, revelando que o aprendizado dos grandes mestres do século XVIII e parte do XIX estava sustentado por procedimentos muito distintos do que era aplicado aos músicos no decorrer de um tempo dominado pelo ensino de harmonia do Conservatório de Paris, e tudo o que se espelhava nele. Em resumo, após o surgimento dos conservatórios de música, lentamente foi-se apagando uma prática de ensino que tinha criado a perícia de compositores como Haydn, Mozart, Beethoven, Rossini, entre muitos outros. 

Esse modelo de ensino se desenvolveu nas escolas napolitanas e se expandiu para os centros de ensino de música da Europa e seus domínios coloniais, incluindo o Brasil, rapidamente a ponto de não haver mestre conceituado que não o manejasse. Conhecido como a Arte do Partimento, o ensino se fundamentava em sequências de notas, escritas na maior parte das vezes na clave de Fá e que se referiam à parte mais grave de uma composição (SANGUINETTI, 2012). Estas sequências auxiliavam o estudante na assimilação de fórmulas que associavam a linha do baixo com a melodia. Mas não apenas isso; por meio de pequenas linhas de baixo-soprano, ensinava-se forma musical e estilo, sempre numa perspectiva da realização prática por meio da improvisação ao teclado. Em suma, Partimento é um baixo instrucional que auxiliava um estudante na compreensão das técnicas de composição e improvisação. 

Este ensino, lentamente esquecido, hoje ressurge com forte impacto nas disciplinas de harmonia e contraponto pela sua grande capacidade de desenvolver não só a compreensão dos movimentos harmônicos (acordes, cadências, progressões, sequências), mas a própria questão formal da música galante, que por muito tempo foi envolta em grandes polêmicas. 

Desta forma, o estudo aqui apresentado tem como objetivo principal apresentar os processos pedagógicos de um  curso de extensão oferecido à comunidade em geral, a partir de estudos desenvolvidos pelo Laboratório de Musicologia LAMUS-EACH, que se justifica pela necessidade de atualizar o músico brasileiro de processos de estudo da música galante por meio de uma orientação historicamente informada, ainda pouco conhecida nas nossas escolas. Além do mais, professores das disciplinas contempladas no referido curso, como o contraponto e a harmonia, podem se valer destes ensinamentos e reflexões para prover em suas disciplinas os conteúdos resgatados e mostrados neste trabalho com base nas reflexões de Peter Van Tour (2015) sobre o ensino de contraponto nos Conservatórios Napolitanos. Ademais, o conteúdo do curso de extensão demonstra a adequação da linguagem dos mestres napolitanos aos métodos modernos do ensino da teoria musical. 

Para os professores relacionados à prática musical, o conteúdo do curso de extensão contempla exercícios de resolução de sequências de notas que guiam o estudante na aquisição de proficiência na improvisação e harmonização. Este, por sinal, era a finalidade do ensino dos partimentos pelos mestres napolitanos, e os materiais e exercícios deste curso ajudam a resgatar. Em suma, o modelo pedagógico apresentado neste trabalho visa auxiliar professores e estudantes de música a resgatar uma tradição de transmissão do conhecimento musical que priorizava a aquisição das habilidades teóricas e técnicas da música por meio da prática musical.

Palavras-chave: Ensino de Música. Partimento. Contraponto. Análise Musical. Música Galante.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GJERDINGEN, Robert O.. Music in the galant style. New York: Oxford University Press, Inc., 2007. 

MACHADO NETO, Diósnio. Memória, realidade e projeção: 10 anos de estudos de significação musical sobre a música na América Portuguesa. In: Musicologia Transatlântica, um momento de reflexão, 10., 2018, Lisboa. Atas do Congresso Internacional. Lisboa: Cesem-Universidade Nova de Lisboa, 2018. p. 123-136.

SANGUINETTI, Giorgio. The art of partimento: History, theory, and practice. New York: Oxford University Press, Inc., 2012. 

VAN TOUR, Peter. Counterpoint and partimento: Methods of teaching composition in late eighteenth-century Naples. Uppsala: Uppsala Universitet, 2015. 318 p. 


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Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).