Olá, pessoal!
Na Transcrição do Mês, trazemos a música "DMV", da banda Primus, com transcrição comentada da linha de contrabaixo executada por Les Claypool. Este material foi publicado originalmente na edição nº 19 da revista Bass Player Brasil.
Esta transcrição integra uma coleção com mais de 240 publicações produzidas para revistas especializadas em contrabaixo, que venho disponibilizando gradualmente em meu site. Além disso, faz parte de um acervo com mais de 1.000 transcrições desenvolvidas ao longo da minha carreira como músico, pesquisador e professor.
PRIMUS – DMV
A música "DMV" integra o álbum Pork Soda (1993), um dos trabalhos mais representativos do Primus e um excelente exemplo do estilo singular de Les Claypool, considerado um dos baixistas mais criativos da história do instrumento.
Com uma técnica impressionante e um senso rítmico inconfundível, Claypool reúne influências de artistas que expandiram os limites da música popular, como Frank Zappa, King Crimson e Stanley Clarke. Em DMV, essas referências aparecem em uma linha de baixo altamente original, marcada pelo uso de técnicas pouco convencionais, grande liberdade rítmica e constantes variações.
A frase principal é apresentada logo no primeiro compasso e é construída a partir da escala diminuta de Ré, utilizando a técnica de Two-Handed Tapping. Nesse trecho, a mão esquerda executa a nota fundamental, enquanto a mão direita toca a quinta diminuta e a oitava, indicadas na partitura pelo símbolo (+), utilizado para identificar as notas executadas com a mão direita.
Embora esse padrão seja repetido durante boa parte da música, Claypool raramente o executa exatamente da mesma maneira. O baixista cria pequenas variações rítmicas e melódicas, sempre com muito swing, como pode ser observado, por exemplo, nos compassos 2 e 7 da introdução.
Essa ideia constitui a base estrutural de diversos trechos da música, aparecendo na Introdução (compassos 1–8), nas bases da voz (compassos 9–16, 25–32 e 81–88), nas pontes (compassos 21–24 e 69–72) e também nos interlúdios (compassos 45–52 e 73–80).
O Refrão inicia-se no compasso 17, quando o baixista passa a construir suas frases sobre Sol diminuto, desenvolvendo diversas variações a partir de um mesmo padrão.
A frase mais simples aparece logo no primeiro compasso do refrão. Nela, o acorde é executado nos tempos fracos do compasso, com a mão esquerda tocando a fundamental (nota Sol, na 15ª casa da corda Mi) e a mão direita executando as demais notas do acorde.
A partir do compasso 19, surgem novas variações construídas sobre os tempos 1 e 3, incorporando notas percussivas executadas pela mão direita. Essas notas são indicadas pelo símbolo de abafamento (x) acompanhado da indicação de Tapping.
O refrão ocorre nos compassos 17–20, 33–40, 61–68 e 89–96.
Entre os compassos 41 e 45, encontra-se a primeira seção do interlúdio. Nesse trecho, Claypool utiliza o Thumb, um dos principais movimentos da técnica de Slap, representado pela letra T acima das notas. O baixista também emprega notas percussivas que preservam parte da ressonância das notas anteriormente executadas pela mão direita, indicadas pelo símbolo de abafamento na tablatura.
No compasso 53, destaca-se o uso da dinâmica para criar uma interessante variação da base vocal. Já o refrão retomado no compasso 61 apresenta a indicação pianíssimo, exigindo que as notas sejam executadas com intensidade bastante reduzida, produzindo um contraste expressivo dentro da música.
A partir do compasso 97, inicia-se o trecho final, considerado o momento de maior complexidade técnica da composição.
As três notas executadas simultaneamente pela mão direita podem ser realizadas de duas maneiras. A primeira consiste em utilizar os dedos indicador, médio e anelar, cada um responsável por uma corda. A segunda consiste em executar as três cordas utilizando apenas o dedo indicador, funcionando como uma pequena pestana. Ambas as abordagens produzem resultados sonoros semelhantes, cabendo ao músico escolher aquela que lhe proporcionar maior conforto técnico.
Mais do que reproduzir cada nota da transcrição, recomenda-se isolar as principais frases e estudar cuidadosamente o swing, a articulação e as pequenas variações desenvolvidas por Les Claypool. Esses elementos são fundamentais para compreender sua linguagem musical e representam uma excelente oportunidade para o desenvolvimento da técnica, da percepção rítmica e da expressividade no contrabaixo.
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A seção Transcrição do Mês apresenta linhas de baixo que marcaram a história da música, acompanhadas de análises técnicas e musicais. O objetivo é oferecer material de estudo que auxilie músicos e pesquisadores na compreensão da linguagem dos grandes baixistas e na ampliação de seu repertório técnico e estilístico.
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Bons estudos e até a próxima publicação!
Fernando Tavares











