quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Transcrição do Mês - Primus - DMV


 Por Fernando Tavares

Les Claypool no contrabaixo
Texto revisado em 2024. Publicado originalmente na edição nº 19 da revista Bass Player Brasil.

Olá, pessoal!

Na Transcrição do Mês, trazemos a música "DMV", da banda Primus, com transcrição comentada da linha de contrabaixo executada por Les Claypool. Este material foi publicado originalmente na edição nº 19 da revista Bass Player Brasil.

Esta transcrição integra uma coleção com mais de 240 publicações produzidas para revistas especializadas em contrabaixo, que venho disponibilizando gradualmente em meu site. Além disso, faz parte de um acervo com mais de 1.000 transcrições desenvolvidas ao longo da minha carreira como músico, pesquisador e professor.


PRIMUS – DMV

A música "DMV" integra o álbum Pork Soda (1993), um dos trabalhos mais representativos do Primus e um excelente exemplo do estilo singular de Les Claypool, considerado um dos baixistas mais criativos da história do instrumento.

Com uma técnica impressionante e um senso rítmico inconfundível, Claypool reúne influências de artistas que expandiram os limites da música popular, como Frank Zappa, King Crimson e Stanley Clarke. Em DMV, essas referências aparecem em uma linha de baixo altamente original, marcada pelo uso de técnicas pouco convencionais, grande liberdade rítmica e constantes variações.

A frase principal é apresentada logo no primeiro compasso e é construída a partir da escala diminuta de Ré, utilizando a técnica de Two-Handed Tapping. Nesse trecho, a mão esquerda executa a nota fundamental, enquanto a mão direita toca a quinta diminuta e a oitava, indicadas na partitura pelo símbolo (+), utilizado para identificar as notas executadas com a mão direita.

Embora esse padrão seja repetido durante boa parte da música, Claypool raramente o executa exatamente da mesma maneira. O baixista cria pequenas variações rítmicas e melódicas, sempre com muito swing, como pode ser observado, por exemplo, nos compassos 2 e 7 da introdução.

Essa ideia constitui a base estrutural de diversos trechos da música, aparecendo na Introdução (compassos 1–8), nas bases da voz (compassos 9–16, 25–32 e 81–88), nas pontes (compassos 21–24 e 69–72) e também nos interlúdios (compassos 45–52 e 73–80).

O Refrão inicia-se no compasso 17, quando o baixista passa a construir suas frases sobre Sol diminuto, desenvolvendo diversas variações a partir de um mesmo padrão.

A frase mais simples aparece logo no primeiro compasso do refrão. Nela, o acorde é executado nos tempos fracos do compasso, com a mão esquerda tocando a fundamental (nota Sol, na 15ª casa da corda Mi) e a mão direita executando as demais notas do acorde.

A partir do compasso 19, surgem novas variações construídas sobre os tempos 1 e 3, incorporando notas percussivas executadas pela mão direita. Essas notas são indicadas pelo símbolo de abafamento (x) acompanhado da indicação de Tapping.

O refrão ocorre nos compassos 17–20, 33–40, 61–68 e 89–96.

Entre os compassos 41 e 45, encontra-se a primeira seção do interlúdio. Nesse trecho, Claypool utiliza o Thumb, um dos principais movimentos da técnica de Slap, representado pela letra T acima das notas. O baixista também emprega notas percussivas que preservam parte da ressonância das notas anteriormente executadas pela mão direita, indicadas pelo símbolo de abafamento na tablatura.

No compasso 53, destaca-se o uso da dinâmica para criar uma interessante variação da base vocal. Já o refrão retomado no compasso 61 apresenta a indicação pianíssimo, exigindo que as notas sejam executadas com intensidade bastante reduzida, produzindo um contraste expressivo dentro da música.

A partir do compasso 97, inicia-se o trecho final, considerado o momento de maior complexidade técnica da composição.

As três notas executadas simultaneamente pela mão direita podem ser realizadas de duas maneiras. A primeira consiste em utilizar os dedos indicador, médio e anelar, cada um responsável por uma corda. A segunda consiste em executar as três cordas utilizando apenas o dedo indicador, funcionando como uma pequena pestana. Ambas as abordagens produzem resultados sonoros semelhantes, cabendo ao músico escolher aquela que lhe proporcionar maior conforto técnico.

Mais do que reproduzir cada nota da transcrição, recomenda-se isolar as principais frases e estudar cuidadosamente o swing, a articulação e as pequenas variações desenvolvidas por Les Claypool. Esses elementos são fundamentais para compreender sua linguagem musical e representam uma excelente oportunidade para o desenvolvimento da técnica, da percepção rítmica e da expressividade no contrabaixo.

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A seção Transcrição do Mês apresenta linhas de baixo que marcaram a história da música, acompanhadas de análises técnicas e musicais. O objetivo é oferecer material de estudo que auxilie músicos e pesquisadores na compreensão da linguagem dos grandes baixistas e na ampliação de seu repertório técnico e estilístico.

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Fernando Tavares

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Sugestão do Mês - Milton Nascimento - Angelus

Olá, pessoal!

Na Sugestão de Álbum deste mês, apresentamos uma das obras mais marcantes da música brasileira: Angelus, o 25º álbum de estúdio de Milton Nascimento, lançado em 1994.


O disco reúne um elenco extraordinário de músicos brasileiros e internacionais, consolidando-se como um dos trabalhos mais sofisticados da carreira de Milton. Entre os convidados estão nomes como Pat Metheny, Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter, Jack DeJohnette, Jon Anderson, Peter Gabriel e James Taylor, artistas que contribuem para a riqueza sonora e a diversidade estética do álbum.

Entre os destaques está "Estrelada", com a participação de Jon Anderson, vocalista da banda Yes, cuja interpretação dialoga de forma sensível com a escrita melódica característica de Milton Nascimento.

Outro momento importante do álbum é a releitura de "Vera Cruz", que traz um belíssimo solo de Pat Metheny, sustentado pela marcante linha de baixo de Ron Carter e pela refinada condução rítmica de Jack DeJohnette.

Também merece destaque a nova versão de "Clube da Esquina nº 2", um dos clássicos do repertório de Milton Nascimento, reinterpretado com novos arranjos e uma atmosfera sonora que dialoga com a proposta estética do álbum.

Vídeo



Faixas 
01 - Seis Horas da Tarde (Milton Nascimento)
02 - Estrelada (Milton Nascimento - Márcio Borges) Participação: Jon Anderson
03 - De Um Modo Geral... (Milton Nascimento - Wilson Lopes)
04 - Angelus (Milton Nascimento)
05 - Coisas de Minas (Milton Nascimento - Wilson Lopes)
06 - Hello Goodbye (John Lennon - Paul McCartney)
07 - Sofro Calado (Milton Nascimento - Régis Faria) Participação: Robertinho Silva
08 - Clube Da Esquina, Nº2 (Milton Nascimento - Márcio Borges - Lô Borges)
09 - Meu Veneno (Milton Nascimento - Ferreira Gullar) Participação: Naná Vasconcelos
10 - Only A Dream In Rio (James Taylor - Versão: Fernando Brant) Participação: James Taylor
11 - Qualquer Coisa a Haver Com o Paraíso (Milton Nascimento - Flávio Venturini) Participação: Peter Gabriel
12 - Vera Cruz (Milton Nascimento - Márcio Borges)
13 - Novena (Milton Nascimento - Márcio Borges)
14 - Amor Amigo (Milton Nascimento - Fernando Brant) Participação: Pat Metheny e Herbie Hancock
15 - Sofro Calado (Milton Nascimento - Régis Faria)

Créditos
Milton Nascimento – vocais, sanfona, violão e piano.
Wayne Shorter - sax
Gil Goldstein – orquestra e regência
Jon Anderson – vocais
Túlio Mourão – teclado, piano
Hugo Fattoruso – acordeon, piano
João Baptista – baixo fretless, baixo
Wilson Lopes - guitarra e viola caipira
Robertinho Silva – percusão, bateria e concepção rítmica
Ronaldo Silva – percusão, bateria, efeitos, tamborim
Vanderlei Silva – percusão, efeitos, tamborim
Leonardo Bretas – vocais
Naná Vasconcelos – percusão e concepção rítmica
James Taylor – vocais, violão
Jeff Bova – teclados
Tony Cedras – acordeon
Anthony Jackson – guitarra "contrabass"
Chris Parker – bumbo
Peter Gabriel – vocais
Flávio Venturini – violão
Herbie Hancock – piano
Pat Metheny – guitarra, violão
Ron Carter – baixo
Jack Dejohnette – bateria

Angelus é um álbum que evidencia a capacidade de Milton Nascimento de integrar diferentes tradições musicais, reunindo grandes nomes da música internacional em um trabalho de profunda sensibilidade artística. Trata-se de uma obra indispensável para músicos, pesquisadores e apreciadores da música brasileira.

A seção Sugestão de Álbum apresenta obras que marcaram a história da música e que podem servir de inspiração para músicos, pesquisadores, professores e apreciadores. A cada edição, uma nova indicação para ampliar o repertório de escuta e incentivar novas experiências musicais.

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Fernando Tavares

quinta-feira, 30 de julho de 2026

🎶 VOCÊ ESTUDA IMPROVISAÇÃO OU QUER COMEÇAR?


A improvisação vai muito além de "tocar o que vem à cabeça". Ela envolve linguagem, percepção, repertório e muita prática.

Neste terceiro episódio da série de vídeos do Projeto TMF, conversamos sobre esse universo, compartilhando experiências, ideias e reflexões que podem contribuir para músicos em diferentes etapas da formação.

🎸 Participação:
• Mauricio Fernandes – guitarra
• Fernando Tavares – contrabaixo

🎬 Filmagem e edição: Renata Pereira

O Projeto TMF nasceu com o objetivo de compartilhar conhecimento por meio de aulas, workshops, composições autorais e conteúdos educativos sobre música.

▶️ Assista ao vídeo e participe da conversa! Depois, conte nos comentários: como a improvisação faz parte dos seus estudos?



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#Improvisação #EducaçãoMusical #ProjetoTMF #Contrabaixo #Música

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Leitura recomendada - Leitura e Escrita de Textos Argumentativos – Marcus Sacrini

 

Olá, pessoal!

Na Leitura Recomendada desta semana, apresento um livro que considero uma excelente referência para estudantes, pesquisadores e professores que desejam aperfeiçoar a leitura crítica e a escrita acadêmica: Leitura e Escrita de Textos Argumentativos, de Marcus Sacrini, publicado pela Edusp.

Embora tenha sido desenvolvido a partir de um curso ministrado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, o livro vai muito além do ambiente universitário. A obra apresenta um método sistemático para compreender, analisar e produzir textos argumentativos, oferecendo ferramentas que podem ser aplicadas em diferentes áreas do conhecimento.

Um dos grandes méritos do livro é tratar a argumentação como uma habilidade que pode ser desenvolvida por meio de estudo e prática. Em vez de apresentar apenas conceitos teóricos, Marcus Sacrini propõe exercícios, estratégias de leitura e procedimentos para identificar a estrutura lógica dos textos, compreender argumentos complexos e construir uma escrita mais clara, consistente e fundamentada.

Para quem atua na pesquisa em música, musicologia, teoria musical ou em qualquer outra área acadêmica, trata-se de uma leitura extremamente útil. A capacidade de organizar ideias, construir argumentos sólidos e comunicar resultados de pesquisa é uma competência tão importante quanto o domínio do conteúdo específico da área.

Recentemente gravei um vídeo curto comentando essa obra e explicando por que ela merece fazer parte da biblioteca de qualquer pesquisador.

📹 Assista ao vídeo:

📚 Mais informações sobre o livro:


A seção Leitura Recomendada apresenta livros que contribuem para a formação de músicos, pesquisadores, professores e estudantes. A cada edição, uma nova indicação para ampliar os horizontes da pesquisa, da reflexão e da prática musical.

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